Orkut prepara retorno e quer milhões de usuários para construir uma nova rede social
Site oficial foi completamente atualizado e fundador convoca antigos usuários para apoiar uma nova plataforma focada em comunidades, amizades reais e menos dependência de algoritmos.
Publicado em 8 de outubro de 2026 • 21:184 min de leitura
Quem viveu a internet brasileira nos anos 2000 provavelmente se lembra das comunidades, dos depoimentos, dos scraps e daquela pergunta que poderia acabar com uma amizade: “sou sexy, confiável ou legal?”
Agora, mais de uma década depois de sair do ar, o Orkut voltou a dar sinais concretos de que pode ganhar uma nova vida.
O site oficial orkut.com foi completamente atualizado nesta quinta-feira (8) e passou a exibir uma campanha liderada pelo próprio criador da rede social, Orkut Büyükkökten.
A mensagem é clara: ele quer construir uma nova rede social e está convocando milhões de pessoas ao redor do mundo para demonstrar interesse no projeto.
“Oi de novo. Sou eu, o Orkut”
A nova página começa com uma mensagem pessoal de Büyükkökten.
O fundador critica o rumo tomado pelas grandes plataformas digitais nas últimas duas décadas e argumenta que as redes sociais passaram a ser construídas para maximizar atenção e engajamento, em vez de aproximar pessoas.
A proposta apresentada no novo site busca justamente recuperar parte da filosofia que marcou o Orkut original: comunidades, interesses em comum, amizades e interações entre pessoas reais.
O projeto também prevê o uso de inteligência artificial, mas com uma abordagem diferente daquela encontrada em muitas plataformas atuais.
Segundo o fundador, a intenção é usar IA para ajudar pessoas a criar e aprofundar amizades, e não substituir as relações humanas.
Milhões de pessoas são convocadas
No centro da campanha existe uma espécie de abaixo assinado digital.
Usuários maiores de 18 anos podem informar país, e mail e, opcionalmente, nome e telefone para demonstrar que gostariam de ver uma nova rede social criada pelo fundador do Orkut.
Quem participa recebe um código de apoiador e pode gerar um cartão digital para compartilhar nas redes sociais.
O próprio site incentiva os usuários a ajudarem a alcançar milhões de assinaturas ao redor do mundo.
A iniciativa também mostra quais países concentram mais apoiadores, transformando a mobilização em uma disputa informal entre diferentes regiões.
Mas o Orkut realmente vai voltar?
É aqui que existe uma diferença importante.
A movimentação é a mais concreta dos últimos anos, mas ainda não significa que o antigo Orkut será simplesmente reaberto.
Os termos publicados pela própria Orkut Inc. classificam a iniciativa como uma campanha de pré lançamento e deixam claro que a participação não garante uma conta, nome de usuário ou acesso antecipado.
O documento também afirma expressamente que a campanha não representa um compromisso definitivo de construir ou lançar o produto em determinado formato, mercado ou prazo.
Portanto, ainda não existe uma data oficial para a estreia.
Também não é possível, neste momento, criar um perfil, adicionar amigos ou entrar em comunidades.
O antigo Orkut não deverá voltar exatamente como era
Outro ponto importante é que os antigos perfis não poderão simplesmente reaparecer.
Após o encerramento da plataforma pelo Google em 2014, os dados dos usuários foram posteriormente excluídos. Fotos, depoimentos, scraps e conteúdos das antigas contas não estão disponíveis para serem restaurados em uma eventual nova rede social.
A tendência, portanto, é que o projeto seja uma nova plataforma inspirada na filosofia do antigo Orkut, e não simplesmente a reativação do serviço encerrado pelo Google.
O próprio site fala em criar uma rede social focada em pessoas autênticas, conexões reais e senso de pertencimento.
Uma história especialmente ligada ao Brasil
Poucas redes sociais tiveram uma relação tão forte com o público brasileiro quanto o Orkut.
Criada em 2004 por Orkut Büyükkökten enquanto ele trabalhava no Google, a plataforma se tornou um fenômeno no Brasil.
Comunidades como “Eu odeio acordar cedo”, depoimentos, scraps e avaliações de perfil passaram a fazer parte da cultura da internet brasileira.
Segundo o site oficial do fundador, a rede chegou a reunir mais de 300 milhões de usuários mundialmente ao longo de sua história.
Com a ascensão do Facebook e de outras plataformas, porém, o Orkut perdeu relevância. O Google decidiu encerrar definitivamente o serviço em setembro de 2014.
O retorno acontece em um momento curioso
O possível renascimento do Orkut acontece justamente quando as maiores redes sociais enfrentam críticas sobre algoritmos, conteúdo artificial, excesso de publicidade, polarização e impacto sobre a saúde das relações digitais.
Büyükkökten tenta transformar essa insatisfação em oportunidade.
Em vez de competir apenas por vídeos curtos ou horas de atenção, a promessa apresentada é recuperar algo que muitos usuários sentem ter desaparecido das redes modernas: o sentimento de comunidade.
Ainda é cedo para saber se milhões de pessoas realmente abandonarão Instagram, TikTok, Facebook ou X por uma nova plataforma.
Mas uma coisa já está acontecendo.
Depois de anos sendo tratado apenas como lembrança de uma geração da internet, o nome Orkut voltou a fazer parte da disputa pelo futuro das redes sociais.
E, desta vez, quem está provocando esse retorno é o próprio homem que começou tudo.
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Última atualização em 8 de outubro de 2026 • 21:36
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